A peça desenrola-se vinte anos após o início da carreira do presidente. Já nada funciona no país. Os dignatários deixam-se matar pelos "anarquistas", entre os quais se encontra sem dúvida o filho do casal presidencial, fugido numa certa noite sem dizer água vai. Nada funciona, mas tudo continua. Antes de ir a mais um enterro (o de um coronel morto num atentado), o presidente recebe massagens e a sua mulher maquilha-se. É essencialmente ela que fala durante a primeira parte da peça. Durante mais de uma hora a presidenta martiriza a sua criada, chora o seu cãozinho morto no atentado, cita o seu capelão por tudo e por nada, e invoca incessantemente as duas causas da situação desastrosa em que o país se encontra: "Ambição, ódio: mais nada". Na segunda parte tem a palavra o presidente, que se encontra em viagem por Portugal com a sua amante: uma actriz de segunda categoria em quem ele vê "o génio da arte dramática". O palco e o teatro político são, para o presidente, a mesma coisa. Mas tanto no seu caso como no da sua mulher, a logorreia esconde uma angústia: a da provável traição do seu filho.
Ficha Artística e Técnica em Co-Produção com a Companhia de Teatro de Almada
Texto: Thomas Bernhard Tradução: José A. Palma Caetano Encenação: Joaquim Benite Intérpretes: Alberto Quaresma, Carlos Santos, Luís Ramos, Luís Vicente, Neuza Teixeira, Teresa Gafeira, Teresa Mónica Cenário: João Luís Carrilho da Graça Figurinos: Sónia Benite Luz: José Carlos Nascimento