Produções

Antígona

O texto de Sófocles começa com a chegada da Antígona a Tebas. Na sua cidade os seus dois irmãos, Etéocles e Poliníces disputam o poder pela força, em vez de o partilharem, alternando-o, como tinha sido estabelecido. No campo de batalha morrem às mãos um do outro, deixando o poder ao familiar mais próximo, o seu tio Creonte. Chegado ao poder, Creonte cria uma lei: todos os que morreram defendendo a cidade terão um funeral digno. Os que lutaram contra a sua Pátria serão deixados ao abandono, sem sepultura. Quem desobedecer a esta lei será condenado à morte.
Antígona não consegue pensar na ideia de deixar um irmão sem sepultura. Pede ajuda à irmã para o enterrar mas esta recusa com medo das consequências. Antígona parte só para o campo de batalha e cobre o irmão com terra, prestando-lhe a homenagem devida a um morto.
É descoberta, levada a Creonte, que a condena a ser abandonada até morrer num túmulo de pedras. Sem se arrepender nem nunca clamar por piedade, Antígona enfrenta o seu destino e enforca-se na tumba.
Sófocles talvez pretenda mostrar com esta peça que o melhor caminho para fazer justiça é intercalar as leis humanas com as universais, buscando um ponto que tente harmonizar os desejos das partes envolvidas.

Ficha Artística e Técnica
Textos: Sófocles e María Zambrano
Tradução (do texto de Maria Zambrano): Maria João Neves e Dario Suarez Serón
Dramaturgia: Luís Vicente e Ana Cristina Oliveira
Revisão Técnica: Adriana Nogueira
Encenação: Luís Vicente
Assistente de Encenação: Elisabete Martins
Concepção Plástica: Luís Vicente
Música e Direcção Musical: Zé Eduardo
Coreografias: Evegueni Beleaev (Companhia de Dança do Algarve)
Cenografia, Adereços e Execução: Tó Quintas
Figurinos: Esmeralda Bisnoca (Atelier Espalhafatos)
Costureira: Marta Rocha
Assistente: Alexandra Abelha
Desenho de Luz: Luís Vicente e Noé Amorim
Operação de Luz: Nuno Neto
Operação de Som e Vídeo: Noé Amorim
Contraregra: Ana Gabriel
Fotografia: Pedro Pereira
Assistente de Produção: Ana Gabriel
Secretariado: Dina Felgueiras
Direcção de Cena: Elisabete Martins
Direcção Técnica: Noé Amorim
Direcção de Produção: Luís Vicente
Direcção de Actores: Jorge Soares e Luis Vicente
Intérpretes: Afonso Dias, Ana Cristina Oliveira, Carlos Botinhas, Elisabete Martins, Henrique Prudêncio, Joana Sá, João Jonas, Jorge Soares, Luís de A. Miranda, Mário Spencer, Pedro Santos e Tânia Silva
Bailarinos: Angelika Makarova e Konstantin Makarov
Instrumentistas: Hugo Alves (trompete), Sónia "Little B" Cabrita (percussões), Wenzl McGowen (sax tenor), Zé Eduardo (contrabaixo e teclados)

Da Imprensa:

"A Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), [...] está mais uma vez de parabéns. A sua recém-estreada peça «Antígona», [...] é um exemplo de que as produções de qualidade não surgem apenas nos grandes centros urbanos. Destaque para a encenação, a cargo do veterano Luis Vicente, para a junção da música de Zé Eduardo e das coreografias de Evegeni Beliaev, e ainda para a prestação dos actores, com relevo para a jovem estreante Joana Sá, no papel de Antígona. Trata-se de um espectáculo a não perder, [...]"
Barlavento, 18/11/2004

"A nova produção da ACTA - Antígona - tem dado que falar. Para uns fascinante, para muitos hermética e elitista, as opiniões dividem-se. E eis que nasce a polémica.

[...] O espectáculo fere: obriga a ver, a pensar, a sentir e a tomar posições.

[...] Genial, polémica, hermética, aborrecida ou estimulante, esta produção cumpre uma função vital nos tempos que correm: os seus múltiplos níveis de interpretação dão muito que falar. Escolha o seu."
Patrícia Amaral, Postal do Algarve, 09/12/2004

"Os diálogos, cheios de intenção e polémica, cruzam-se no tal "despertar de consciências" de que fala Vicente e riscam-nos a mente até chegar a doer.

[...] A coreografia, de Evegueni Beliaev, a par da música original de Zé Eduardo, foram, só por si, belíssimos elementos fundamentais e estruturais do espectáculo. Luis Vicente, em nosso entender, acertou em quase tudo; até na intemporalidade do próprio guarda-roupa, que também constitui um factor autónomo de reflexão: a humanidade repete-se; nas posturas, nos modismos, nos argumentos, nos erros, sobretudo. Na antiguidade, no momento presente... e amanhã também.
Nesta 28ª produção da ACTA, Luis Vicente, portanto, fez boas opções, conseguindo uma encenação de bom corte e uma concepção eficaz e inteligente, de que é justo destacar toda uma primeira parte do espectáculo: pela exuberância, pelo dinamismo, pelo ritmo, pela linearidade narrativa."
E.G., Jornal do Algarve, 11/11/2004

"Grande noite a que tive em Faro, no Teatro Lethes. [...] Em boa hora, o grupo de teatro ACTA que para fazer isso mesmo - Teatro - tem sido um grupo de heróis lutando contra a falta de meios, a falta de instalações e a falta de apoios firmes e decididos (tem-se visto gregos...), propõe aos Algarvios es monumento do pensamento político, construído por Sófocles há 26 séculos mas porque é mito - um dos mitos mais inquietantes que a Humanidade já produziu até hoje - está actual. A discussão entre Creonte e o seu filho Hémon é um diamante de arte política que apenas o teatro pode encastoar precisamente no ouro do mito.

[...] Vejam a peça, vejam como a aparentemente frágil Joana Sá se agiganta no papel e assume a denúncia da morte que se pratica onde a morte não se vê [...] E aplaudam Luis Vicente que, em Faro, está para o Teatro como o maestro Álvaro Cassuto está para a Música. Oxalá que os deixem fazer escola, gerar excelência, fomentar paixão. Gostaria de ver filas enormes de gente a comprar bilhetes para a Antígona, para indagar com inquietação a diferença entre um crime santo e uma impiedade ímpia - que é o que está em questão na peça de Sófocles."
Carlos Albino, Jornal do Algarve, 11/11/2004

"Esta Antígona é, pois, outra Antígona e essa é uma das razões que nos levam a sentir a força, originalidade que o espectáculo reflecte. Um outro aspecto tem a ver com o papel desempenhado pela banda sonora, de uma grande riqueza musical, imprimindo ao espectáculo qualquer coisa de diferente, de imaginário, o que tem a ver também com o papel desempenhado pela cenografia.

[...] Muito se poderia avançar na tentativa de interpretar o significado do espectáculo da ACTA, mesmo em termos críticos.
 
[...] Este espectáculo constitui uma das grandes surpresas do teatro português dos nossos dias. Com mais surpresas destas, ele passaria a ser outra realidade."
Carlos Porto, Jornal de Letras, 16/02/2005

"Para além de dançarmos sempre com a sedutora Harpia, brilhantemente interpretada por Jonas, posso referir o clima de extrema concentração e profissionalismo dos bastidores, coordenado por Ana Gabriel, que desempenhou exemplarmente a função de contra regra."
Ana Oliveira, Jornal do Algarve, 10/02/2005

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Estreia: 05/11/2004

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