Na sequência da morte de sua irmã Drusilla, o imperador Calígula questiona o sentido da existência, das leis humanas e das leis divinas... Será ele um louco, ou antes um homem que vê o mundo de forma diferente dos comuns mortais?...
Ficha Artística e Técnica Texto: Albert Camus Adaptação Dramatúrgica: Paulo Moreira Encenação: Paulo Moreira Intérpretes: Carlos Botinhas, Glória Fernandes, J. P. Naylor, Jorge Soares, Luis de A. Miranda, Luis Vicente, Maria João, Mário Spencer, Paulo Moreira, Pedro Guerreiro Ramos e Rui Cabrita Figurinos: ACTA Cenografia: Luis Vicente Música: Nélio Filipe Desenho de Luz: Luis Vicente Fotografia: Jorge Soares Direcção Técnica: Noé Amorim Direcção Produção: Luis Vicente
Da Imprensa:
"Este novo trabalho apresentado pela ACTA, com direcção do actor Luis Vicente, é talvez entre os melhores, o trabalho mais bem conseguido e representado até hoje por esta companhia, conciliando uma linguagem clássica com um vanguardismo estético de acção chocante mas sublime. [...] Todos os actores estão de parabéns, porque o sucesso é global. O Algarve começa a estar mais perto da capital com espectáculos deste nível. E o poder algarvio a dever ficar mais atento a esta necessidade." Magazine do Algarve, Janeiro de 2001
"A ACTA desempenha um papel importante na vida cultural da região. [...] a companhia tem vindo a desenvolver na região um trabalho unanimemente reconhecido pela sua qualidade (em espectáculos e formação profissional) e uma estratégia de parcerias com resultados positivos nomeadamente no plano financeiro." Correio da Manhã, 21/06/2001
"A estreia da peça Calígula no âmbito dos Outonos do Teatro, em Portimão, demonstrou o trabalho sério e verdadeiramente profissional que a ACTA está a desenvolver." Barlavento, 22/11/2001
"O trabalho de Luis Vicente na interpretação bastaria para justificar este espectáculo, de tal maneira a força e a sensibilidade desse trabalho nos pareceram inteiramente convincentes. Isto sem deixarmos de ter em conta todos aqueles que participaram num espectáculo de grande qualidade. [...] um espectáculo que revela ou confirma o trabalho de um grupo cuja actividade se situa fora dos grandes centros, prova que o teatro português avança." Carlos Porto, Jornal de Letras, 12/12/2001
"Calígula constituiu a mais agradável surpresa dos Outonos do Teatro. [...] A ACTA encerrou o festival de Portimão, num espectáculo que superou em muito as expectativas.
[...] A adaptação dramatúrgica do encenador Paulo Moreira resultou plenamente, ao tornar o texto facilmente inteligível até para o espectador menos informado. De facto, Paulo Moreira construiu um espectáculo sóbrio e acessível, sem deixar de lado as questões filosóficas colocadas por Camus através da mente lógica mas doentia de Calígula.
[...] É de salientar o trabalho de Luis Vicente enquanto Calígula , por demais convincente na sua loucura povoada de momentos de lucidez tão fortes, que são capazes de provocar angústia no próprio espectador. [...] Glória Fernandes, Cesónia, prova mais uma vez ser um dos melhores talentos da ACTA. A sua Cesónia é apaixonada, conformada no seu destino, uma mulher que sofre por estar presa a um amor que não controla nem compreende. O seu sentimento é quase maternal e, como todas as mães, prefere tornar-se cega e ignorar os defeitos do filho." Cristina Pinto, Barlavento, 22/11/2001
"Culminando o programa de produção da companhia para 2001 [...] esta estreia surge-nos como um momento de maioridade do trabalho que pela mão do seu director, o actor Luis Vicente, se iniciou há 3 anos.
[...] A sua [Luis Vicente] irrepreensível técnica de dicção, que permite ao espectador ouvir o mais ínfimo suspiro, o sussurro da raiva ou o grito do medo, facilita a apreensão de um texto complexo, prende irremediavelmente o espectador. Do elenco destaca-se ainda o trabalho de Pedro Guerreiro Ramos (Chereia) e o de Mário Spencer (Helicon) patrício e escravos unidos no seu amor pelo "césar", esgotadas em ambos as capacidades críticas e o sentido da realidade que só retomarão aquando da conjura que acarreta a morte ." Conceição Branco, Magazine do Algarve, Dezembro de 2001
"[...] o meu agrado pela fortíssima interpretação que Luis Vicente fez de Calígula, protagonista da peça de Albert Camus." Anabela Moutinho, Notícias do Algarve, 04/12/2001
"Esse espectáculo [Calígula] sim, fez-nos sentir o tal terror e piedade de que Aristóteles falava na sua Poética." Cristina Nabais, Jornal do Algarve, 27/12/2001
"Uma palavra derradeira para uma grande senhor do nosso teatro, que temos a sorte de ter entre nós, no Algarve. O seu papel adapta-se a que Luis Vicente brilhe, mas também a que "estrilhe". Mas bom actor é aquele que, como Luis, se sabe conter quando o caminho mais fácil seria o do descontrolo histriónico e do vedetismo fácil. Dentro da grande violência que adivinho no papel, o actor sabe onde há-de conter-se e estender-se, sem jamais cair na facilidade de provocar o riso fácil.
[...] Já quatro anos depois dos seus primeiros passos, a ACTA continua a deslumbrar nesta sua 13ª peça. E a provar pelas casas cheias que se vêm registando - que há já um público para a cultura no Algarve." João Prudêncio, Jornal do Algarve, 07/02/2002
"Durante as mais de duas horas que decorre a representação o espectador acompanha o ritmo alucinante da palavra, da mímica, da energia, da intenção que os actores carregam no palco: alto teatro! A ACTA, neste texto de Camus, na montagem, direcção e todo o resto mostrou-nos um trabalho sério e também descomplexado." Teodomiro Neto, Jornal do Algarve, 14/02/2002
"A ACTA conseguiu harmoniosamente levar aos palcos toda aquela desarmonia psicológica e filosófica retida no texto de Camus ." Paula Feliciano, Notícias do Algarve, 28/01/2002
"Mais uma vez o director da ACTA superou as expectativas, ao lado de mais 10 actores em palco com destaque também pela Glória Fernandes que interpreta de forma bastante correcta o papel de Cesónia." Isabel Coelho, Notícias do Algarve, 29/01/2002
"O histriónico actor consegue dar ao espectador a justa medida do sanguinário imperador, transformado no homem lúcido que consegue ver o absurdo da vida humana. Lembramo-nos do expressionismo alemão quando deparamos com a máscara de perversidade executada por Luis Vicente.
[...] Pedro Guerreiro Ramos está perfeito no papel de Quereia. De cortar a respiração o diálogo entre Quereia e Calígula, definitivamente um dos momentos altos do espectáculo. Também Helicon está irrepreensível dentro da sua ironia de fiel signatário dos caprichos de Calígula. Outro destaque para o trabalho de actor vai para a prestação de Glória Fernandes, a amante-mãe do imperador, cúmplice que trás consigo o fio que o prende à vida. Nota-se uma consistência ao nível do elenco, sendo de louvar o trabalho de direcção de actores de Paulo Moreira.
[...] Paulo Moreira já consegue tornar única e reconhecida a sua marca de encenador, o que é de louvar para um jovem que dá os primeiros passos na encenação de uma estrutura profissional.
[...] Esta é a prova de que o Algarve já contém nas suas estruturas teatrais personalidades capazes de construir um espectáculo consistente e belo." Cristina Nabais, Em Cena nº 5, 2002